Archive for the ‘Ensino’ Category

O primeiro dia Eslavo

23 de Setembro de 2009

Um átrio gigante separa a rua das escadarias que levam às salas da Faculdade de Letras, uma espiral de degraus que aparenta ter a mesma função de uma passadeira num ginásio. Por mais rápida que seja a cadência pautada pelas pernas, o olhar vagueia na repetição do cenário que insiste na sua teimosia, inalterável. O átrio leva às escadas, os degraus a uma sala, a sala a uma torre de Babel, apenas com uma pequena amostra europeia. A professora de nacionalidade russa fala sobre o programa de História Eslava , enquanto o meu colega do lado, o Eugénio,(ucraniano)  recorda como o site da faculdade é confuso e a colega da frente (moldava) informa que no próximo ano vai fazer Erasmus.

A meio da conversa a porta ganha movimento. Entram mais três colegas – um casal polaco, em pânico, porque não percebiam uma palavra de português – acompanhados por um rapariga espanhola que tinha um inglês muito semelhante ao de Penelope Cruz em Vicky Cristina Barcelona.  A História fez com que a porfessora não aprendesse nem polaco nem inglês, na Universidade de Moscovo, mas ainda assim perguntou:

– Não sabem fala Russo?

– Só inglês, respondem timidamente

– Eu sou ucraniano, diz Eugénio, percebo Polaco.

O esforço foi notável, mas em vão. Os ibéricos olhavam para a confusão instalada.

– Hablas Español?

– No.

– Como non hablas español, es português.

-Tu hablas portugues?

– No.

Es lo mismo. We can talk in english( a velocidade da fala era, mesmo, a maior inimiga da compreensão

E foi mesmo o inglês que conseguiu unir os povos europeus.

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Empresa pública promove trabalho infantil

21 de Setembro de 2009

Se criançada jardim escola João de Deus, em Alvalade, pode aproveitar a sua condição para pedir umas moedinhas para o Santo António também podem fazer de parquímetro durante umas horitas. Amanhã às 10.oo, a criançada vai descobrir que as mães são acusadas de ter a profissão mais velha do mundo e que a figura paterna possui algumas semelhanças com as torres gémeas, depois de fazerem o gosto ao dedo: “Não há moedinha,toma lá multinha”imagem passadeira.

Magalhães não sabe nadar

20 de Setembro de 2009

As caravanas passam. Os candidatos atiram culpas  a governo e profetizam tempos de vil pobreza, durante as arruadas previamente marcadas por sms. As criticas ao Governo são  como um balde de pipocas antes da entrada na sala de cinema: os ouvidos ficam cheios com as mesma palavras de ordem, criticas efémeras,salgadas, enjoativas .

Durante as europeias, passei umas horas a debitar o nome de eleitores, na assembleia de voto, numa escola primária. O papel de independente, além de render uns trocos, fez com que pudesse ler um jornal desconhecido:”Dar à Língua. O título parece sugerir um produto entre a Marina e Flash, mas o conteúdo revela uma grande sensibilidade distinta.

O jornalista Micael teve direito a uma página para falar sobre o Magalhães. O periodista da turma A do terceiro ano escreve sobre os divertidos jogos do navegador de plástico da era digital. “Para que serve o Magalhães?” A resposta não é apenas do interesse dos pais que em pedaços de baba manifestam o orgulho no seu petiz.  O esclarecimento é universal. “O Magalhães serve para escrever textos, jogar, fazer gráficos, fazer desenhos, etc. O Magalhães também pode servir para pesquisar informações, mas é preciso ter Net e na nossa sala não há”. Afinal, o Magalhães é o maior navegador da piscina.