Archive for the ‘José Sócrates’ Category

Sócrates vai à pica

11 de Novembro de 2009

Hoje, a líder do partido da oposição desejou trocar a economia pela enfermagem.

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Aquecimento

26 de Setembro de 2009

“Queremos jogar um jogo”. A cassete repete-se durante semanas. “Estamos asfixiados!” E eles jogam, mas sem bola. O esférico é o único apetrecho que separa a política da liga domingueira patrocinada pela mine.Nas duas modalidades, os protagonistas defendem a saúde mental  através da projecção.

O jogador de futebol não tem grande orgulho em perseguir uma bola  e, nas conferência de imprensa, trata o tolinho que passa 90 minutos  a correr sobre uma passadeira vede, como um cão atrás do osso, na terceira pessoa. É apenas um desconhecido com algumas semelhanças físicas. O mesmo acontece na política. Quando  o orçamento é escasso para beber um whisky com os amigos, o comum mortal justifica a grave falta com uma fase introspectiva que nos obriga a ficar em casa a ver o Marco Horácio a gritar “Soltem a Parede!”.  Na classe dirigente acontece algo semelhante. Uns têm crises de asma, outros falam em forças ocultas. Os populares assumem os sintomas. Os grandes vencedores, até ao momento, são a indústria farmacêutica e os prestigiados armazéns chineses: as patas de coelho estão esgotadas há três semanas. Os rafeirus querem estar em forma, no momento de depositar a escolha na urna.

Contudo, o pânico não inquieta Belém. O anfitrião está rijo. Não há maleita nem superstição que afecte o Chefe de Estado. Fontes próximas da presidência da república afiançam que ”  as soirés  têm sido animadas pelo tabuleiro de Cluedo”  bem… não disseram. Li isso num email.

Magalhães não sabe nadar

20 de Setembro de 2009

As caravanas passam. Os candidatos atiram culpas  a governo e profetizam tempos de vil pobreza, durante as arruadas previamente marcadas por sms. As criticas ao Governo são  como um balde de pipocas antes da entrada na sala de cinema: os ouvidos ficam cheios com as mesma palavras de ordem, criticas efémeras,salgadas, enjoativas .

Durante as europeias, passei umas horas a debitar o nome de eleitores, na assembleia de voto, numa escola primária. O papel de independente, além de render uns trocos, fez com que pudesse ler um jornal desconhecido:”Dar à Língua. O título parece sugerir um produto entre a Marina e Flash, mas o conteúdo revela uma grande sensibilidade distinta.

O jornalista Micael teve direito a uma página para falar sobre o Magalhães. O periodista da turma A do terceiro ano escreve sobre os divertidos jogos do navegador de plástico da era digital. “Para que serve o Magalhães?” A resposta não é apenas do interesse dos pais que em pedaços de baba manifestam o orgulho no seu petiz.  O esclarecimento é universal. “O Magalhães serve para escrever textos, jogar, fazer gráficos, fazer desenhos, etc. O Magalhães também pode servir para pesquisar informações, mas é preciso ter Net e na nossa sala não há”. Afinal, o Magalhães é o maior navegador da piscina.

Sócrates

15 de Setembro de 2009

As crianças têm sempre razão.

A Maiêutica de Sócrates

12 de Setembro de 2009

Após o parto intelectual –  o que para a rafeirada é um processo muito pouco simplex -, sinto sérias dificuldades em votar num primeiro-ministro que confunde Interesse Geral com Interesse de Todos(1); que atira para o mesmo saco Recessão e Endividamento e confunde Gestão Privada com Privatização

1 – “A contingência de uma dissensão entre a vontade de todos (ou da maioria) e a vontade geral não é mais do que a contingência de tudo aquilo que, pese embora a adesão maciça que possa obter no circunstancialismo da ocasião, ponha em causa o interesse comum e o próprio fundamento do contrato social. Neste sentido, a vontade de todos, quando desavinda da Vontade geral, pode ser entendida como o nome rousseauniano para fenómenos como o populismo e a demagogia, exemplificáveis nas democracias totalitárias, com o seu particular volutear revolucionário, mas também, a seu modo é certo, nas nossas hodiernas democracias ocidentais cada vez mais massificadas e “mediacratizadas”. Se a tirania das maiorias pôde conduzir aos totalitarismos de feição aparentemente democrática, hoje já extintos, não será por isso que deixam de constituir uma ameaça, aliás crescente, às democracias que integramos.”