Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Elas mandam

21 de Junho de 2010

Zoe (Jennifer Lopez) era um quadro de sucesso que optou por investir numa loja de animais. A estabilidade económica faz com que a protagonista possa viver dos rendimentos proporcionados pela venda dos pequenos companheiros do homem, porém a estabilidade financeira não se revela suficiente para atingir o equilíbrio. A protagonista de Plano B…ebé (The Back-Up Plan) nunca conseguiu ter uma relação estável que lhe permitisse ter filhos. A solução do problema poderia passar pela adopção, mas a protagonista opta pelo “milagre”da genética. A reprodução medicamente assistida é uma imagem rica, mesmo quando é explorada da forma mais fácil, a explícita.  Um só plano revela  as pernas de Jennifer Lopez erguidas em V , enquanto espera que a semente aterre em solo fértil. Todo o erotismo é aniquilado, mas o que se perde em tensão sexual, ganha-se em gargalhada.

Porém, a linha de força do filme não se prende tanto com o facto de uma mulher querer ser mãe solteira sem necessitar de ter qualquer compromisso. Esta é revelada depois de Zoe saber que está grávida. O terror pelo compromisso é substituído por Stan (Alex O’Loughlin), um produtor de queijo que alia aos escassos atributos intelectuais (do ponto de vista académico) o parco poder financeiro. Enquanto ela vive atrás dos desejos de grávida, Stan assume o papel que socialmente é atribuído à mulher. Ele vai ao parque falar com outros pais para poder perceber melhor as fases de crescimento dos futuros filhos encomendados por Zoe, trata de arranjar uma forma de emagrecer o carrinho de bebé demasiado obeso para entrar no apartamento. Ele, o homem, neste filme, não detém o poder económico. Não decide, apenas reage e garante que saberá tratar da família. Plano B…ebé teria uma narrativa machista se o protagonista (certamente que teríamos de esquecer o processo de inseminação) fosse Stan?

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Sobremesa de campeão

11 de Maio de 2010

A tasca é um lugar complexo. Não se deixem enganar pela aparente banalidade das conversas, ou pelo inconsequente ruído atirado pela televisão, em que o ecrã grita mais alto do que as colunas. No estabelecimento do César todas as palavras são importantes. Enquanto a colher agride o pires, e este dá uma palmada nas longas costas do balcão frigorífico, os homens substituem os mais notáveis comentadores com opiniões tão escorregadias como óleo depositado no grelhador. O enredo da telenovela substitui o jornal da tarde. O Papa e o SLBenfica, que fizeram esquecer a crise, também se tornam pequenos perante o enredo da novela que conta a história de uma qualquer família mafiosa brasileira, que tem um comportamento italiano. Com o cotovelo bem apoiado sobre o balcão, uns sussurram a palavra “bandido”, outros optam, ou por um som acetinado e dizem “malandro”, ou pela acústica  virtuosa da palavra “vigarista”.

– Isto só ensina coisas para a bandidagem. Depois querem que não haja assaltos. Já agora, ó César, dá-me cá uma ferradura
-Vais comer isso com Whisky?
-Apetece-me, pá
-Epá, estás mesmo a precisar duma.


Assessor, outra vez

5 de Abril de 2010

Na faculdade, uma alcunha (assessor) surgiu sem nenhuma explicação lógica. Hoje, fruto do acaso, alguém que trabalha numa publicação periódica telefonou-me, de madrugada, não com o Objectivo de me vender uma assinatura, mas com o propósito de falar com o assessor de Luís Filipe Menezes.

O meu primeiro milhão de milhas

22 de Fevereiro de 2010

Tive direito a um Up In The Air só para mim.  As personagens eram em menor número, os diálogos menos artísticos e o Clooney estava de baixa,  uma constipação segundo o substituto. Infelizmente,  não tive o privilégio de ouvir que  “todos os grande homens passaram por uma situação semelhante”. 🙂

Rafeirus predilectus#1

15 de Fevereiro de 2010

Pouco dançável, poema sem conteúdo e refrão tão repetitivo como o pregão das mulheres que caminham descalças pelos areais a anunciar a promoção do nogat. Somam-se os anos, mas o preço e a poesia mercantil mantem-se. O hit não triunfa na forma, mas a mensagem é tão persistente como uma nódoa de ameixa. Não desgruda do tecido cerebral: “you’re my heart you’re my soul”

Bruno, a pomba da paz

12 de Fevereiro de 2010

Sinfonia

17 de Janeiro de 2010

Qual é o teu marreta?

Rafeirus 2010

4 de Janeiro de 2010

A meia-noite que separou 2009 e de 2010 também foi pródiga em promessas. Uns desejam deixar de fumar, beber ou largar outros prazeres que o tempo transformou em vícios. Para 2010, decidi voltar a escrever no rafeirus com a esperança que este blogue se torne cada vez menos latinus, devido  à  aproximação com a cultura Eslava. No final do próximo ano quero dominar as duas línguas novas que comecei a aprender a meio de Setembro de 2009 e substituir as duas pernas por quatro rodinhas motorizadas para o casal R. passear 🙂

PS. Até pode ser um Renault 5 😉

Gargalhatis rafeirus

25 de Setembro de 2009

Imagens latinus para a alegria da rafeirada, todas as semanas.

Mensagem

25 de Setembro de 2009

EMBRIAGA-TE

Devemos andar sempre bêbados. Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra,
deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê? Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: “São horas de te embriagares! Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.”

Charles Baudelaire in O Spleen de Paris, Relógio d´Água (NS)